Textos


SURTO DE VIRUSGULA

 

Se colocar

entre o sujeito e o predicado

a menor pausa prosódica,

ali mesmo eu paro,

por ódio.

 

Morrem pra mim

a frase e o autor.

A este,

desejo um destino endemoniado

por tempo indeterminado.

Não que eu o queira mal.

É só reciprocidade.

A frase eu ressuscito e a ajusto.

Ela não tem culpa.

 

Não é querer

que todos que escrevem

sejam cultos.

É o mínimo.

Tipo um mais um,

mas sem o mais no meio.

 

E eu já imagino

o cúmulo:

chego a ver o vulto

―com o qual não mais me assusto,

mas que ainda me deixa puto,

esbravejando uma oração curta―

da vírgula antes de tudo,

separando o predicado

do sujeito oculto.

 

 

 

 

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Andalaquim
Enviado por Andalaquim em 17/06/2023
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