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É PAPEL, É PAPEL. É FOLHA, É FOLHA. É LÍNGUA, É LÍNGUA...
 
Eu pauso
o poema na cabeça
enquanto não posso pô-lo
no papel.
 
Ele pulsa
esperando
o próximo passo.
 
Já eu
fico faminto
por um pedaço de papiro,
que, logo, 
terá novo papel.
Sou traça e traço.
 
Papel
é uma palavra leve.
 
Esse e e esse ele
que terminam num,
se invertem
e começam noutro
têm elevado valor
de elo singelo.
 
Engrenagem
hábil e bela.
 
De tão sutil,
nem sangra,
embora receba corante
e, com a luz do lápis
– a caneta é carne –,
cumpre seu papel de clorofila,
fazendo-se função...
essencial.
 
Enquanto o papel não vem,
penso que ele é um pássaro.
A pena,
que encarnaria como caneta,
é, na verdade,
o poema.
Alma e carne se confundem.
 
Língua de beija-flor,
que,
parado no ar,
se assemelha à folha
sem pecíolo,
que se sustenta
só-mente
– talvez seja o hífen
o tal talo perispírito –
com o vento.
 
Eu pouso o poema
em pleno vôo.





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#foto#
quando: 13/10/2020
onde: Uganda, Buinde
por: Andalaquim
Andalaquim
Enviado por Andalaquim em 03/12/2020
Alterado em 15/12/2020
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