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Grilo Tritri
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Textos
A PROTEÍNA DO PINTINHO
 
Eu tenho um amigo de infância que é meu amigo até hoje e por quem tenho, apesar da enorme distância, enorme estima. Ele era pequeno, loirinho e, por isso, chamado de Pintinho. Já eu era chamado de Grilo, pela magreza e joelhos protuberantes em pernas finas. Éramos uma dupla: eu mais alto e enxuto; ele mais baixo e também esguio.
 
Em uma coisa não combinávamos: ele comia poeira dos pára-choques dos carros. Eu não o fazia. Mas, também, não o repreendia. Cada um com sua iguaria, mania ou verme.
 
Mesmo eu não tendo comido, intencionalmente – digo pegar o barro e encher o bucho como minhoca não por acidente –, terra na infância, tornei-me engenheiro agrônomo. Qual não foi minha surpresa ao, na faculdade, saber que um dos meus professores de Ciência dos Solos chegava a dizer os elementos químicos predominantes numa porção de solo após pôr uma pitada de terra na língua!? Até hoje não sei se isso é fato ou apenas uma lenda de uma lombriga erudita. Se for verdade, o Pintinho, em tenra idade, poderia estar se exercitando em ciência no mesmo nível de um doutor. Porém, ele tornou-se educador físico, e cresceu mais do que eu. Num corpo robusto, eu chamaria o Pintinho de Parede. Também pudera, tijolo pra ele era bolo.

Como treinador de futebol de times de diversas categorias de sua cidade natal, Pintinho Parede veio jogar em minha cidade natal. Não fiquei surpreso ao ver seus jogadores mostrando raça, comendo grama.







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Andalaquim
Enviado por Andalaquim em 25/07/2020
Alterado em 27/07/2020
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