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CABEÇA DE PALITO

 

Numa seqüência só.

 

O cipó o agarrou pelo pé,

ele se desequilibrou,

bateu a cabeça no caule

e se arranhou nos espinhos do pau.

 

Leves hematomas,

que,

superestimados pela raiva que o tomou,

transformaram-se em doloridos ferimentos,

que levaram-no a pensar:

“Esse mato

quer-me morto.

Mas a vingança

é um prato

que eu sirvo quente.”.

 

Mas,

antes do castigo em fogo efêmero,

os derradeiros dizeres. 

 

De certa forma,

o cipó

só queria caminhar junto,

de braços dados pelo pé.

O caule

só queria dar uma saudação fraterna de cernes,

tocando testa com tronco.

Mas o espinho...

O espinho

era iniciante

no campo

de relações.

Ele fora designado pela raiz

mensageiro dela na superfície

para buscar uma relação profunda

que começasse pela pele,

mas o espinho entendeu

“que cortasse pela pele”.

 

O cipó

é que teve culpa de tudo.

No entanto,

ele falava que a falta mais grave

fora do espinho

pois foi com ele que teve sangue.

Já o espinho

se defendia

se dizendo

inexperiente e inocente.

 

Da fúria à chama à cinza

foi tudo de cabeça quente.

Um ato tão pontual

quanto encostar num espinho,

com conseqüência tão devastadora

quanto arrancar a rosa.

 

O derramamento de algo seco.

A frieza de algo quente.

Bastou uma faísca

para não restar um bastão.

 

 

 

 

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Andalaquim
Enviado por Andalaquim em 22/06/2020
Alterado em 20/02/2023
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