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Grilo Tritri
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Textos
MIL MÉIS
 
Achava que, com mel, tudo ficava bom. Confiava na culinária melífera como as operárias confiam na rainha e a rainha confia nas operárias em suas relações apícolas recíprocas.
 
Tinha com o mel essa relação de enxame. Sentia-se parte da colméia. Não tinha casa; dizia que tinha nascido num favo.
 
Punha mel no pão. Bom!
Mel na banana. Bom!
No leite. Bem...
Pôs mel no café. Aí, é...
 
Seguia experimentando tudo, absolutamente tudo, com mel, de frutas a farinhas.
 
Só não esperava que o mel azedaria sua garrafa de vinho... inteira. Poderia ter tentado somente num copo – tomava vinho no copo, como bebia café –, mas não... confiança e obstinação. E não era um vinho qualquer. Uma reserva antiga, especial... e caríssima.
O azedo – segundo ele, doce às avessas – nem chegou a zangá-lo. Ele já era zangado por natureza. Afinal, o mel é doce, a abelha não. “Quem não gostou que não beba!” Bebeu o vinho inteiro sozinho.
Além disso, segundo ele, seria uma heresia se desavir com vinho e com mel. São bíblicos. Mas já estava zonzo o suficiente pra não conseguir argumentar se era vinho e mel ou vinho com mel. Só lhe restou dizer: “O vinho eu que comprei! O mel é meu! E vinho com mel eu que inventei!”.





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quando: 15/05/2020
onde: Uganda, Kanungu, Buinde, casa do autor
por: Andalaquim
Andalaquim
Enviado por Andalaquim em 27/05/2020
Alterado em 05/06/2020
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