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Grilo Tritri
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Textos
AMOR À PRIMEIRA LAPISEIRA
 
Na Tanzânia, em 2010, 2011 e 2012, eu participei de três projetos. Eu fora, inicialmente, convidado para ficar sete meses, voluntariamente, disseminando o sistema vulcão de finalização de secagem de café, que eu aprendera com o meu pai e praticara com o Caquinho, funcionário da nossa fazenda. Meu pai, por sua vez, o aprendera em Franca, e, com alma de eterno extensionista rural, passou adiante para seus clientes e amigos. Os sete meses iniciais deram cria. Fiquei três anos.
 
Eu chegara à Tanzânia na terceira semana de maio de 2010, início da colheita naquele país. Meu superior, no entanto, não aceitava a idéia desse sistema finalizador de secagem de café, e se opôs, o quanto pôde, a ela. Foi no final da temporada de colheita, na primeira semana de agosto, que tive a chance de conduzir o primeiro experimento/treinamento sobre o sistema vulcão, na vila de Kalinzi, no extremo oeste tanzaniano. Foram dois experimentos em um. Não sei se ainda vale a proibição, mas, àquela época, não era permitido fazer café natural na Tanzânia. Café natural é aquele em que não se descasca os frutos para a secagem, secando-os, naturalmente, inteiros. Fiz um pequeno lote de café natural, o qual terminei de secar com o vulcão. Fiquei hospedado na vila por uma semana. Nessa semana, dei um treinamento no primeiro dia para vários pequenos cafeicultores, e, durante os outros dias de secagem, mexíamos o vulcão enquanto outros vários pequenos cafeicultores, que não tinham atendido ao treinamento, vinham aprender.



Eu precisava de tradução do inglês para o suaíle e vice-versa. Minha tradutora foi Liliani Yohana, filha de um dos associados da estação de processamento de café. Me apaixonei! Liliani tinha dezessete anos. Eu, vinte e cinco. Traços africanos muito belos, um sorriso cintilante e uma risada estonteante. Linda, simpática... e negra! Tudo que eu sonhava. No Brasil, eu namorara várias negras. Machuquei o coração de muitas, com meu coração errante. Agora, lá estava eu, completamente apaixonado numa cultura completamente diferente. Por isso – apaixonado, mas receoso –, não tentei aproximação alguma. Apenas a namorei pelas vistas, num encantamento que tinha sido à primeira vista.
 
Eu carregava no bolso da camisa uma lapiseira Pentel Sharp amarela 0.9, pela qual Liliani se apaixonou. Era a minha única lapiseira. No dia de ir embora da vila, é claro que dei a lapiseira de presente a ela, mesmo sabendo que ela não teria acesso a grafites.



Hoje, tenho uma coleção de lapiseiras Pentel Sharp, de diversos diâmetros e cores, que serve de enfeite na minha escrivaninha. Na minha mesa, são vinte e uma lapiseiras. E, no bolso da camisa, uma. Estou pronto pra me apaixonar à primeira vista? Não! À primeira até à vigésima segunda lapiseira. Liliani é a inspiração da minha coleção, digna de ser uma lapiseira vermelha dentro de uma caneca da mesma cor...ação.







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#foto Liliani#
quando: 03/08/2010
onde: Tanzânia, Kigoma, Kalinzi
por: Andalaquim

 
#foto mexendo vulcão com alunos#
quando: 03/08/2010
onde: Tanzânia, Kigoma, Kalinzi
por: Deogratias Alfred

 
#foto Liliani e Andalaquim#
quando: 06/08/2010
onde: Tanzânia, Kigoma, Kalinzi
por: acionamento automático programado

#foto lapiseiras#

quando: 22/12/2019
onde: Uganda, Kanungu, Buinde, casa do autor
por: Andalaquim
Andalaquim
Enviado por Andalaquim em 22/12/2019
Alterado em 10/05/2020
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