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Grilo Tritri
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Textos
CIÊNCIA E POESIA NO CÉU AZUL NUBLADO
 
Quem nunca brincou de imaginar figuras nas nuvens? E, com o dinamismo delas, a imaginação também sendo dinâmica.
 
Eu passara o dia fotografando nuvens a pedido de um amigo que está fazendo mestrado em Meteorologia. E por falar em estudo, veio essa nuvem, que me remeteu a algo especial: boas lembranças dos bons tempos de colégio, em Paraisópolis, e dos períodos difíceis da faculdade de Agronomia, em Lavras. Sim, boas lembranças também dos períodos difíceis.
 
Eu tive três matérias na faculdade que me tiravam o sono. E eu aproveitava que estava acordado para estudar, mas a matéria não entrava na cabeça nem dormindo nem acordado. A primeira vez em que as cursei fui reprovado em todas. Foram elas: Meteorologia & Climatologia (Pedrão Trovão), Genética (Magno) e Construções Rurais (Tião Concreto).
 
Nesse céu, com sua mudança de tempo repentina, o anúncio de uma chuva. Desde o início de fevereiro de 2019, quando cheguei aqui em Buinde, até hoje (mais da metade de dezembro do mesmo ano), não teve uma semana sequer sem chuva. E, desde setembro, quando começou a segunda colheita do ano, teve apenas quatro dias inteiros sem chuva. E a chuva vem assim, repentinamente, no período da tarde. Não vou me estender explicando as conseqüências para as estradas, para o cafezal e para a secagem de café. Mas ainda estamos na batalha da segunda e principal colheita desse ano: terminando a secagem. Já era para estar tudo seco, mas, com essas condições meteorológicas, apenas vinte por cento de toda a produção está seca. Mesmo diante dessas adversidades, nossos cafés pontuaram, até agora, entre 87 e 90 pontos, recordes na empresa desde a sua fundação, e o de 90 pontos é o melhor do país nessa safra. Mudei o manejo da lavoura e os métodos de processamento, e o resultado foi este: notas recordes para todos os tipos de café. Apesar da dificuldade com Genética, tomo a liberdade poética: “Aqui é ugand... c/ dna(m)agu Paulinho.”.
 
Para contrapor à dificuldade em Meteorologia, volto à nuvem que vira. Ela tem algo de matemático, algo de biológico e eu colocaria a minha sempre pitada: algo de poético. A poesia contida nessa árvore sombria e nessa nuvem enegrecendo-se, que, não cobrindo totalmente o céu, o expõe azulado numa fatia triangular, é algo encantador, digno de admiração; uma composição.
Nessa nuvem, a imaginação reinou, mas não infantilmente com os desenhos de criança, e sim com notas de ciência. Eu fotografara essa nuvem, assim como todas as outras, para um estudo científico do meu amigo. E, subliminarmente, a nuvem veio dar sua lição-contribuição: tem algo duplamente didático, que, pra mim, também soa poético. A nuvem expondo, exatamente, quarenta e cinco graus de céu num triângulo reto. Uma nuvem geométrica. E a mesma nuvem num processo de fagocitose. Mas uma fagocitose diferente, que eu chamaria de “fagocitose canibal”, em que fagócito e partícula são do mesmo material. A nuvem abocanhando o floco. Uma nuvem citológica.
 
Uma composição/formação matemática e biológica. Geométrica e citológica. Uma nuvem científica. Lúdica e poética. E foi assim, interdisciplinar e poeticamente, que vi essa Construção sobre o chão Rural.





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#foto#
quando: 08/11/2019
onde: Uganda, Kanungu, Nyamiyaga, Kingha Coffee Company
por: Andalaquim
Andalaquim
Enviado por Andalaquim em 19/12/2019
Alterado em 10/05/2020
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