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Grilo Tritri
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Textos
ESPALHANDO AMOR... E SÍFILIS ORAL
 
Em junho de 2010, recém-chegado à Tanzânia, perguntei a dois colegas de trabalho tanzanianos como saudar gentilmente as moças em suaíle, o idioma oficial da Tanzânia. Eles me ensinaram a seguinte frase: “Nataka demo wa kitanzania.”. Escrevi na minha cadernetinha de bolso – sempre tenho uma caneta e uma caderneta comigo – e, rapidamente, tornei-me fluente nessa única expressão. Tratei logo de colocá-la em prática. E assim foi até outubro do mesmo ano: eu falava, as moças riam e eu pensava que estava abafando.
 
No dia 8 de outubro de 2010, indo para Burundi, decidi armar um trote idiomático para o meu companheiro de viagem, que era um daqueles colegas de trabalho. Estávamos indo a Burundi, mas nenhum de nós falava o idioma local, kirundi, nem o idioma de colonização, francês. Sabendo que iríamos ficar numa cidadezinha e que, vendo um branco, os habitantes tentariam se comunicar em francês conosco, decidi ensinar ao meu colega de trabalho e de viagem a resposta para “bonjour”. Disse a ele que ao “bonjour” se respondia com uma rima: “tomar no cu”. E assim foi durante três dias: “bonjour” de lá e “tomar no cu” de cá; “bonjour” de lá e “tomar no cu” de cá; “bonjour” de lá e “tomar no cu” de cá. Trote inofensivo, porque só eu entendia... e ria!
 
Mas o troco veio a galope, exatamente uma semana após. Na verdade, o troco já estava trotando há muito tempo, antes mesmo de precisar do troco, e galopou nessa tal uma semana. O “bonjour” foi em outubro. Mas, desde junho, eu carregava e usava aquela frase em suaíle ensinada por ele e pelo outro colega de trabalho – “Nataka demo wa kitanzania.” –, que, segundo eles, era uma maneira educada de saudar moças. Na sexta-feira seguinte ao “bonjour-tomar no cu”, no prédio mais importante para o café na Tanzânia (Kahawa House – Tanzania Coffee Board), num treinamento para 60 mulheres com média de idade de 60 anos, atendidas pela Aliança Internacional das Mulheres no Café, uma senhora freira, que cultivava café com suas irmãs (que faziam parte da audiência de sessenta mulheres sexagenárias), me questionou se eu ainda não sabia suaíle apesar dos cinco meses já vivendo na Tanzânia. Eu respondi: “Mimi najua kiswahili kidogo sana bado (“Mim saber muito pouco suaíle ainda”) (aí, como eu realmente sabia muito pouco de suaíle, tive que voltar ao inglês e ao serviço de tradução), but I know another sentence (“mas eu sei uma outra frase”): ‘Nataka demo wa kitanzania.’.”. Diferentemente das tantas vezes com as moças, só vi expressões de reação esquisitas, que eu não esperava: espantadas, envergonhadas, indignadas. E o tradutor sem saber onde colocar a cara, onde enfiar a frase. Só depois vim a saber que, nesse contexto (nesse prédio e para essas senhoras) e nos outros contextos das moças nas vilas, eu disse e vivia dizendo: “Eu preciso de comer uma bucetinha da Tanzânia.”.





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quando: 15/10/2010
onde: Tanzânia, Kilimanjaro, Moshi Urbano, Kahawa House / Tanzania Coffee Board
por: Thadeus Mrema 
Andalaquim
Enviado por Andalaquim em 15/12/2019
Alterado em 14/04/2020
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